sábado, 19 de setembro de 2009

A Festa da Fé.

UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA


Nesse mês de setembro algo de muito importante aconteceu em minha vida, por isso a necessidade de fazer uma reflexão, uma leitura desse momento que ficará marcado para sempre em minha alma, em meu coração.
No ano passado, mais precisamente no dia 7 de setembro, fui escolhido para ser Provedor da Venerável Irmandade de Nossa Senhora de Nazareth e, dessa forma, conduzir as festividades em honra a Padroeira no ano de 2009. No primeiro momento, dois sentimentos invadiram o meu coração: de um lado, o medo sinalizava o tamanho da responsabilidade que me esperava, do outro o meu coração se enchia de alegria, pela grande honra de ter sido escolhido entre tantos e pelo grande voto de confiança que a mim foi depositado. Enfim, toda a minha vida, minha história, os meus sonhos, as minhas esperanças ali estavam depositados. Ser Provedor de Nossa Senhora de Nazareth foi/é para mim, a maior honra que um saquaremense pode receber em vida; é algo que ultrapassa os limites do entendimento e só pode ser explicado pela fé; é voltar no tempo e relembrar com grande saudosismo do meu querido avô Ivan Bravo, que há tempos atrás sempre me levava, quando criança, para as reuniões da Venerável Irmandade e que me ensinou a amar a Padroeira, a nossa Igreja Matriz, a nossa história...
De Setembro a dezembro de 2008 foi um pulo. Dia 31 de Dezembro chegou e com ele os fogos anunciavam que um novo ano acabara de se iniciar. Foi um momento de muita emoção. Naquele momento, os fogos faziam meu coração palpitar com mais força e imediatamente consagrei a Nossa Senhora o grande desafio que eu teria pelos próximos nove meses: preparar com brilhantismo a Festa de nossa Padroeira.
Já no mês de Janeiro as idéias começavam a invadir a mente. O que fazer? O que mudar em relação a festas anteriores? Como arrecadar fundos? Que novidades poderiam ser feitas? Enfim, um turbilhão de sentimentos, de esperanças, de sonhos começavam a ganhar forma, como que em um punhado de barro, mas que ainda precisaria de muito trabalho, muita dedicação, muita paciência para tomar forma. Falando nisso, acho que além da fé e do amor a Senhora de Nazareth é claro, esses são os três ingredientes básicos para quem deseja ser Provedor ou Juíza: trabalho, dedicação e muita paciência. Num piscar de olhos, comecei juntamente com Valéria, minha grande Juíza e Amiga, a quem dedico muito carinho, respeito e admiração, a pensar de que forma iríamos trabalhar; o que iríamos fazer para arrecadar fundos para fazermos a Festa. A partir desse momento, foram muitos encontros, incontáveis encontros. Horas a fio no telefone combinando as coisas... reuniões e mais reuniões para a organização dos bingos, das rifas, das listas, das prendas, da programação, de tudo que seria feito para que tivéssemos um grande êxito na festa da nossa Amada Padroeira. Chegaram os bingos e com eles muito trabalho pela frente. Muitas coisas para resolvermos: vender quase mil bingos (em cada um deles), organizar o clube, providenciar o som, o cantor, os doces, os salgados, receber os bingos, contar tudo... uma infinidade de coisas. Tive a grande graça de Nossa Senhora de ter Valéria ao meu lado, que além de uma grande amiga, foi uma grande festeira. Foi incansável até o fim, trabalhou muito, muito mesmo. Conseguiu dar conta da família, do trabalho e da Festa da Padroeira. Sempre disposta a seguir em frente, mesmo em meio às tantas dificuldades que encontramos no caminho. Não foram poucas dificuldades. Encontramos dificuldades em lugares onde achávamos que seríamos recebidos de braços abertos. A ajuda prometida por muitos, infelizmente algumas vezes ficou só nas palavras... Por outro lado, recebemos o carinho e o apoio de muitas pessoas que não esperávamos e que hoje são tão queridas por nós. Nos apoiávamos um no outro e buscávamos força em Deus e em Nossa Senhora para continuarmos o nosso trabalho. Após esse primeiro momento de arrecadação, que nos exigiu muito trabalho, suor e algumas lágrimas, começamos a definir enfim o que iríamos fazer. Novamente muitos encontros, muitas reuniões, as reuniões com a Venerável Irmandade, a qual eu agradeço a cada membro do fundo do meu coração, pelo apoio, pelo carinho e por toda a ajuda dispensada. Todos foram importantes. Todos se colocaram solidários em algum momento. Tantas coisas para resolver: sistema de som, fogos, decoração, Banda de Música, Corais, Leilão, Venda de lembranças, enfim, uma infinidade de outras coisas que não saberia listar no momento. Cada coisa um aprendizado, cada coisa uma nova descoberta.
Tudo estava dando certo. O inimigo não poderia emudecer em meio à tantas coisas boas que estavam acontecendo. Os três bingos tinham sido um sucesso, os preparativos estavam adiantados, tudo estava correndo às mil maravilhas. De repente nos deparamos com uma ameaça: a gripe suína, que em um determinado tempo se tornou o nosso grande pesadelo. Tantas notícias ruins nos telejornais, tantas proibições, tantas previsões catastróficas, tantos boatos maledicentes na cidade, que afirmavam que não teria Festa da Padroeira, ou que se tivesse, seria restrita. Como se manter de pé? Como continuar? Só mesmo através da Fé e da confiança em Cristo e em Maria Santíssima. Meu lado humano teimava em desanimar, em fraquejar, mas minha alma se enchia de esperança a cada Ave Maria que eu recitava ou a cada comunhão que eu recebia na Santa Missa. Não ter Festa de Nossa Senhora de Nazareth? Impossível! Nunca deixou de ter. Como não teria logo esse ano em que eu tinha sido escolhido por Ela para estar a frente? Não, não. Tudo isso era necessário acontecer, tanto que até o fim eu fui testado e provado, até o dia 8 de Setembro. Primeiro a gripe suína e o forte resfriado que peguei, que tentou por muitas vezes me derrubar, depois os imprevistos durante a Missa Solene e por fim a previsão do tempo, que marcava uma forte fria no Estado do Rio no período das festividades. Veio a chuva (fraca), que foi embora no dia 7 pela madrugada. O tempo melhorou ficou ótimo até o dia 8, quando exatamente no momento da entrada da Imagem na Matriz para ser coroada uma forte ventania caiu sobre nossa cidade. Ter medo? Que nada! O vento era a bênção que Ela trazia para nós. O tempo fechou na tarde do dia 8 de Setembro, os mais apavorados previam chuva para a Procissão. Não tive medo. No fundo do meu coração, algo de muito forte dizia que aquilo era mais uma prova e que eu precisava confiar, não ter medo. Pois bem, não tive. Confiei. Durante a procissão o tempo voltou a fechar e ensaiar um temporal. Ali eu já estava forte o suficiente para ter a CERTEZA de que TUDO daria certo até o fim. Acredito que a grande lição que tirei dessa festa foi que mesmo em meio às dificuldades é preciso manter a fé, a esperança. Nunca desanimar. Confiar sempre nEla e em seu filho Jesus. Quanto mais confiança depositarmos, mais graças receberemos.
Foram momentos de infinita alegria, mas também de muita tensão. As pessoas mais próximas perceberam o quão tenso eu fiquei no dia 8 de Setembro. Nada poderia dar errado. Tudo tinha que ser perfeito. Não por mim, mas para a honra e glória de nossa Padroeira. Pois bem, e tudo foi... Que lindo amanhecer em 8 de Setembro: os primeiros raios de sol faziam as trevas da noite se dissipar e anunciar que o GRANDE DIA, o dia MAIS IMPORTANTE DE TODA A MINHA HISTÓRIA desde o meu nascimento, acabara de nascer. Os fogos anunciavam junto com a Banda de Música, que era Festa em SAQUAREMA e era Festa no CÉU também. Quanta emoção, quantas lágrimas, quanta presença da Virgem Maria e dos meus entes queridos que já faleceram eu senti. Algo indescritível. Meu coração se enchia de paz, de alegria, de sentimentos bons. Esse sentimento está presente em meu coração até hoje. Não se compara a nada que vivi ou senti em toda a minha vida. Não há dinheiro no mundo que possa pagá-lo. As infinitas graças que recebi e continuo a receber de Nossa Senhora de Nazareth me fazer ter certeza que o dia 8 de Setembro de 2009, sempre será o dia mais feliz da minha vida. Um dos momentos mais emocionantes foi quando coloquei o manto em nossa Padroeira. Quantos antepassados meus sonhavam com esse dia e infelizmente não puderam vê-lo em vida. Mais uma vez senti que não fui Provedor nesse ano por acaso. Foram/são muitas graças e manifestações da Virgem Maria em minha vida. Saí dessa Festa mais forte, com mais Fé.Acho que fica agora a sensação de dever cumprido, de gratidão. Gratidão à Deus, à Nossa Senhora e a todos os amigos de longa e pouca data, estes últimos ganhei de presente dos céus no período que antecedeu a Festa. Meus amigos,vou terminando por aqui, mas antes quero agradecer do fundo da minha alma a todos aqueles que colaboraram comigo e que me deram a mão quando eu mais precisei, principalmente nos momentos de dificuldade e provação. Muito obrigado meus amigos; o que eu posso dizer a vocês é que hoje sou uma pessoa muito feliz, muito mesmo. Obrigado Mãe por esses nove meses de preparação e por tudo que fez em meu favor. A ti eterna gratidão. Já está dando saudade, o que me consola é que ano que vem tem Festa de novo...

Aluizio Almeida dos Santos Júnior
Juiz Provedor da Venerável Irmandade de Nossa Senhora de Nazareth

Ego Sum Totus Tuus Maria
Viva Nossa Senhora de Nazareth, Rainha e Padroeira de nossas terras.

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